Solos degradados: por que você deve se preocupar?

solos degradados

Os solos degradados representam uma ameaça à sua capacidade em contribuir com o desenvolvimento de lavouras sustentáveis e lucrativas. A degradação do solo é resultado de alterações nas propriedades químicas, físicas e biológicas, que estão completamente interligadas em uma relação funcional.

O mau uso do solo pelas atividades humanas está crescendo de maneira gradativa. Apesar de ser considerado como um recurso abundante e inesgotável, a degradação contribui para que a área útil dos solos seja cada vez menor no mundo todo. E isso é um grande motivo para se preocupar!

O cenário da degradação do solo no mundo

De acordo com dados fornecidos pela Food American Organization (FAO), ocorre uma perda de cinco milhões de hectares de terras aráveis por ano, causada pelo mau uso do solo por atividades do agronegócio.

Além disso, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUD), através do GLSOD (Global Assessment of Soil Degradation – Projeto de Avaliação Mundial da Degradação do Solo), constatou que 15% dos solos do planeta estão degradados pela atividade do homem.

A grande maioria dos solos degradados está localizada em países menos desenvolvidos, o que acentua ainda mais os problemas sociais. Afinal, quanto menos o país for desenvolvido, mais ele se torna dependente da agricultura como atividade econômica para contribuir com o seu Produto Interno Bruto (PIB) e com os índices de exportação.

Segundo o GLSOD, há 244 milhões de hectares de solos degradados no continente Sul Americano. Os dados apontam que o desmatamento é responsável por 41% da degradação do solo, o pastejo intensivo por 27,9%, as atividades agrícolas por 26,2% e a exploração intensiva da vegetação por 4,9%.

Apesar de não haver nenhum estudo conclusivo sobre solos degradados no Brasil, estimativas apontam o desmatamento e as atividades agropecuárias como os principais responsáveis pela degradação dos solos brasileiros.

O que causa a degradação do solo?

Solos degradados são resultado de diferentes ações que afetam suas características físicas, químicas e biológicas. Saiba mais sobre os principais causadores da degradação do solo!

Degradação química

A degradação química está relacionada às ações naturais ou antrópicas que promovem mudanças nas propriedades químicas do solo e levam à perda da sua capacidade produtiva. As formas mais comuns de degradação química são:

  • Perda de nutrientes: muitos fatores podem ocasionar a perda de nutrientes ou torná-los indisponíveis às plantas, como remoção pelas culturas, volatilização, lixiviação, imobilização pelo solo, erosão.
  • Perda de matéria orgânica: é uma forma de degradação química de alto impacto sobre o solo, podendo ser causada por aumento na decomposição, perda por erosão, remoção de camadas superficiais do solo que mais armazenam matéria orgânica e uso do fogo.
  • Desbalanço de nutrientes: quando a análise do solo não é feita de maneira adequada, corre-se o risco de utilizar fertilizantes em quantidades erradas, ocasionando um desbalanço de nutrientes no solo que contribui para sua degradação.
  • Acidificação: a acidez do solo já é natural, mas pode ser intensificada pela aplicação de fertilizantes, como o sulfato de amônio, além de outras práticas.

Degradação física

A degradação física refere-se à perda ou alterações nas propriedades físicas do solo. Assim como a degradação química, também pode levar à redução na capacidade produtiva do solo. As principais causas são:

  • Selamento superficial: é decorrente do impacto das gotas de chuva ou da água de irrigação sobre o solo, causando desagregação do solo próximo à superfície. O selamento reduz a infiltração de água e promove o escoamento superficial das águas da chuva e irrigação, o que pode levar à erosão.
  • Compactação e adensamento: a compactação causa, sobretudo, diminuição na infiltração de água, aumentando o risco de erosão e dificultando a absorção pelas raízes. A compactação pode ser resultado do tráfego intenso de máquinas sobre o solo, implementos agrícolas, pressão do casco de animais, entre outros.
  • Perda de porosidade: normalmente está associada à redução do teor de matéria orgânica, à compactação e ao impacto das gotas de chuva.
  • Erosão: a erosão é considerada como a principal forma de degradação do solo. As práticas agrícolas intensivas, que não utilizam um sistema adequado de manejo e conservação do solo, são as principais responsáveis pela intensificação dos processos erosivos.

Degradação biológica

As propriedades biológicas são as primeiras a serem afetadas com a degradação dos solos. A vida dos microrganismos presentes nos solos é afetada drasticamente em razão da diminuição na qualidade de seu habitat. Além de trazer prejuízos às plantas e aos organismos do solo, a degradação também afeta negativamente os processos realizados por esses, ocasionando severas consequências funcionais. Algumas causas comuns incluem:

  • Doses elevadas de fertilizantes: o excesso de doses de fertilizantes fosfatados e nitrogenados podem afetar alguns processos biológicos importantes como, a fixação simbiótica de nitrogênio e associações micorrízicas.
  • Plantio convencional: a intensa mecanização utilizada no plantio convencional provoca perda de matéria orgânica, sendo prejudicial à biota do solo, devido ao revolvimento do solo.
  • Queima de resíduos vegetais: também é um fator que contribui com a degradação biológica, uma vez que diminui a quantidade e a diversidade da comunidade biológica do solo.

Solos degradados: como corrigir esse problema?

Os solos degradados podem ser recuperados com diferentes métodos e técnicas. Abaixo, listamos 5 práticas que são bastante eficientes para a recuperação de solos degradados e podem ser implementadas em suas atividades agrícolas.

Adubação verde

Esse conceito abrange a tradicional prática de utilizar plantas de cobertura em esquemas de rotação, sucessão ou consorciação com as culturas comerciais. A adubação verde traz diversos benefícios, como proteção da camada superficial do solo contra as chuvas de alta intensidade, sol e vento, redução da lixiviação de nutrientes, maior fixação biológica do nitrogênio, elevação do teor de matéria orgânica, dentre outros.

Cultivo em nível

É uma prática que visa dispor as linhas de semeadura ou plantio no sentido transversal à pendente do terreno, através do uso de curvas de nível e linhas em contorno. Através dessa prática, as fileiras de plantas, bem como os sulcos de semeadura ou do preparo do solo, reduzem o percurso da enxurrada, amenizando os processos erosivos e facilitando a infiltração de água no solo.

Nucleação

É uma técnica que se baseia na capacidade de uma espécie para melhorar o ambiente e facilitar a ocupação dessa área por outras espécies secundárias. A nucleação é bastante importante no processo de recuperação de solos degradados, uma vez que propiciam a regeneração natural mais rápida, aumentando a biodiversidade em áreas perturbadas.

Terraceamento

Trata-se de uma prática conservacionista utilizada para o controle da erosão hídrica. O terraceamento é realizado com estruturas hidráulicas denominadas de terraços e compostas por um canal e um camalhão. São construídas transversalmente no sentido da declividade do terreno, diminuindo a ação da enxurrada, reduzindo a perda de nutrientes e da matéria orgânica, dentre outros benefícios.

Reposição de matéria orgânica

Como a matéria orgânica é fundamental para a saúde do solo, o aumento no teor orgânico, favorece a agregação do solo, o que é de grande relevância para a recuperação da capacidade produtiva. Uma das maneiras de repor a matéria orgânica, além das culturas de rotação, é a utilização de adubos orgânicos ou organominerais, resultantes do processo de compostagem. Esses insumos são ricos em compostos orgânicos que ajudam a favorecer a microbiologia do solo, além de melhorar suas propriedades físicas e químicas.

Neste artigo, você pode conferir mais práticas eficazes para a conservação e recuperação dos solos.

 

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